Fundos de Investimentos: tudo o que você precisa saber!

No mercado financeiro você tem duas alternativas:

  1. Investir diretamente nos ativos.

  2. Investir indiretamente nos ativos, por meio de um fundo de investimentos.

Qual é a melhor?

Na minha opinião, as duas opções podem fazer parte da sua carteira, com estratégias complementares.

Neste texto, vou explicar o funcionamento dos fundos de investimentos e quando podem ser vantajosos aos investidores.

O que é um Fundo de investimento?

Um fundo de investimento reúne recursos de um conjunto de investidores (chamados cotistas) com o objetivo de obter ganhos a partir da aquisição de uma carteira de ativos.

Ao comprar cotas de um fundo, o investidor delega a um profissional a gestão do portfólio de investimentos, dando-lhe a responsabilidade de gerir seu dinheiro.

Participantes do mercado de Fundos

Administrador

quem constitui o fundo e é responsável pelo seu funcionamento – atividades como prestação de contas aos cotistas e à CVM, cálculo do valor das cotas, divulgação das informações, entre outros

Custodiante

responsável pela guarda dos  ativos do fundo

Gestor

responsável pela alocação dos recursos do fundo 

Distribuidor

bancos, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários

Cotistas

quem investe no fundo (compra cotas)

Segurança

Os fundos de investimentos possuem CNPJ próprio, que não se confunde com o CNPJ de qualquer integrante. Ou seja, se uma destas instituições vier a falir, os cotistas poderão escolher outra em assembléia para substituir. O risco está nos ativos ativos que estão dentro do fundo. 

A regulamentação dos fundos é feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Órgão responsável por fiscalizar todas as atividades. 

Tipos de Fundos

Fundo passivo: busca acompanhar um benchmark/índice de referência (ex: CDI, Ibovespa, IMA-B, dólar…). Neste tipo de fundo, a atuação do gestor é pouco relevante, portanto deve-se buscar taxas de administração mais baixas.

Fundo ativo: busca superar seu benchmark. Neste tipo de fundo, a escolha de um bom gestor é mais importante do que a taxa de administração.

Categorias

Renda fixa (RF)

  • Referenciado DI e Simples: investem a maior parte do seu patrimônio em títulos públicos com rentabilidade atrelada à taxa de juros (LFT/Tesouro Selic) 

  • Crédito privado: podem investir mais de 50% do seu patrimônio em títulos de renda fixa de crédito privado

  • Inflação (IMA-B e Juros Reais): investem em títulos com rentabilidade atrelada ao IPCA.

  • Prefixados (IRF-M): investem em títulos com rentabilidade prefixada.

  • Debêntures incentivadas: investem em debêntures de infraestrutura com isenção de imposto de renda para pessoa física.

Multimercado (FIM): gestor pode atuar nos mercados de juros, câmbio (moedas), bolsa (ações), entre outros…no Brasil e no exterior, na ponta comprada ou vendida.

Ações (FIA): fundos que investem em ações. Podem ser passivos (ex: indexado ao Ibovespa), livres ou seguir estratégias específicas (dividendos, small caps…).

Cambial: fundos que buscam seguir a variação de alguma moeda (ex: dólar frente ao real).

Custos

Taxa de administração: embutida diariamente no valor da cota e paga mensalmente (o fundo tendo ou não resultado positivo).

Ela é cobrada sobre todo o patrimônio investido. O valor é dado ao ano: se você investe R$ 1.000 em um fundo com taxa de 1% ao ano, por exemplo, pode contar que vai deixar na mesa R$ 10 por ano a título de taxa de administração.

Taxa de performance: calculada sobre o retorno que exceder o índice de referência (benchmark). Existe uma ressalva para cobrança de taxa de performance chamada marca d’água.

Ela traça o valor máximo já alcançado pela cota. Só será permitida uma nova cobrança de taxa de performance se as duas condições forem cumpridas: ganho superior ao benchmark e cota acima da marca d’água. 

Lembro que a rentabilidade divulgada pelos fundos já é líquida das taxas de administração e de performance. 

Taxa de saída e/ou resgates antecipados: alguns fundos podem cobrar uma taxa adicional no caso de resgates antecipados ao prazo por eles estabelecido.

Tributação dos Fundos (retida na fonte) 

Fundos de Investimento de Longo Prazo (Renda Fixa, Multimercados e Cambial):

– IOF regressivo em aplicações até 30 dias.

– IR regressivo:

Tempo de aplicação

Alíquota do IR

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20,0%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15,0%

– Come-cotas (alíquota de 15%): a incidência do IR não ocorre apenas nos resgates, mas também semestralmente, no último dia dos meses de maio e novembro.

Fundos de Ações: IR apenas nos resgates, com alíquota de 15% sobre os rendimentos.

Fundos de Debêntures Incentivadas: isentos de IR para pessoa física.

Fundos de Previdência Privada: regimes tributários diferentes (link artigo sobre previdência).

Racionais para investir em Fundos

  • Comunhão de recursos para acessar uma carteira de ativos

  • Diversificação do patrimônio

  • Gestão profissional

  • Liquidez

Cenários onde os investimentos em Fundos podem ser vantajosos

Reserva de emergência: existem fundos RF Simples isentos de taxa de administração e com possibilidade de resgate no mesmo dia (D0), enquanto no investimento direto em Tesouro Selic é cobrada taxa de custódia de 0,25% ao ano pela B3 e a liquidez ocorre no dia útil seguinte ao da venda (D+1).

Crédito Privado: nos fundos de crédito privado é possível diversificar a carteira com títulos de diversos emissores e de diferentes vencimentos, portanto pode se reduzir os riscos, além de oferecer a possibilidade de resgate em prazos mais curtos (ex: 45 dias), enquanto o investimento direto em CRAs, CRIs, Debêntures, LCAs e LCIs podem reduzir a flexibilidade da carteira ao manter os recursos presos por um longo período.

Multimercados: o investimento em fundos multimercados também é interessante para uma parcela da carteira, uma vez que os gestores conseguem realizar investimentos mais sofisticados e não acessíveis ao investidor pessoa física comum. Esses fundos podem acessar oportunidades no mundo inteiro, nos mercados de Bolsa, câmbio e juros. Por meio deles você pode, por exemplo, apostar na alta da Bolsa alemã, no aumento dos juros da Venezuela ou no dólar contra a moeda chinesa. Atualmente, é possível encontrar fundos de excelentes gestoras com aplicações mínimas de 1 mil, 5 mil e 10 mil reais, antes acessíveis apenas aos milionários.

Ações: quando você possui pouco conhecimento ou recursos para diversificar sua carteira com várias ações de empresas e setores diferentes, investir em um fundo pode reduzir seus riscos, além de contar com a gestão de um profissional para a escolha dos papéis para a carteira.

Dólar e Ouro: é importante sempre ter uma parte do seu dinheiro em ativos que servem como proteções (hedge) para a carteira. A moeda americana tende a se valorizar frente ao real em cenários desfavoráveis para a nossa economia. E o ouro tende a se apreciar em crises globais. Uma vez que não sabemos quando um evento negativo poderá ocorrer, incluir seguros no portfólio permite ao investidor ter uma posição maior em ativos de risco.

Como avaliar um Fundo?

  • Quem é o gestor e qual seu histórico (currículo)?

  • Objetivo e características do fundo: onde aplica os recursos?

  • Taxas de administração e performance.

  • Liquidez (prazo do resgate) e carência (prazo mínimo de permanência).

  • Histórico de performance. Supera o seu benchmark?

Comparador de Fundos no Fliper

O Fliper é um aplicativo que consolida investimentos de diferentes instituições de forma automatizada e também possui um comparador de fundos dentro do app.

Você busca pelo nome ou CNPJ e compara a performance dos fundos em questão de segundos.

É possível escolher o período desejado e obter as principais características dos fundos em carteira.

Como acompanhar os Fundos dentro da sua carteira de investimentos?

Agora que já você já sabe como investir em fundos e que eles podem fazer parte da sua carteira de investimentos, lembro que a diversificação dos recursos em diferentes classes de ativos e em diferentes instituições financeiras pode dificultar o acompanhamento e controle do patrimônio.

Entrar no site de cada casa e classificar seus investimentos em uma planilha de excel pode dar trabalho e tomar muito tempo.

Visando solucionar este problema do investidor, o Fliper é um aplicativo que consolida os investimentos de forma automatizada, diferente dos outros, em que os usuários precisam inputar os dados manualmente.

O app também mostra a evolução do patrimônio e a rentabilidade do portfólio, podendo compará-lo aos principais índices do mercado, como CDI e Ibovespa.

O Fliper pode ser baixado para sistemas Android e iOS.

Um abraço e bons investimentos!

Walter Poladian Filho, CFP®

Formado em administração de empresas pela FAAP, planejador financeiro certificado (CFP®) pela PLANEJAR, possui também a certificação PQO da B3 e é consultor de valores mobiliários na CVM. Com experiência de mais de nove anos no mercado financeiro, atuou como planejador financeiro na Empiricus e em passagem por duas grandes corretoras (Rico e Link), atuou como gestor da mesa de renda fixa, consultor de investimentos e operador (broker) nos mercados de ações e derivativos.

Siga-nos

Últimos artigos

Fundos de Investimentos: tudo o que você precisa saber!

No mercado financeiro você tem duas alternativas: Investir diretamente nos ativos. Investir indiretamente nos ativos, por meio de um fundo de investimentos. Qual é a...

Por que resgatar seu FGTS?

Saque Imediato do FGTS De acordo com a nova regra do Governo, trabalhadores poderão sacar até R$ 500 de cada conta ativa ou inativa que...

Aplicativo reúne 1,5 bilhão de investimentos e impulsiona open...

Por Diana Cheng - 27/06/2019 - 18:34 O aplicativo Fliper possui 1,5 bilhão de investimentos mapeados e 60% de usuários com mais de duas contas cadastradas Com o...

Reserva de Emergência: 3 fundos DI melhores que a...

Faça seu colchão de liquidez render mais  O avanço das plataformas digitais ainda não foi suficiente para tirar o brasileiro da comodidade da poupança. Fonte: Anbima...

Similar articles

Instagram